sexta-feira, 1 de julho de 2011

ANTES TARDE DO QUE NUNCA!!!

      

NOCHE Y CADENTE (letra: Rafael Ferreira/ musica: Vitor Amorim) 3º LUGAR E MELHOR MELODIA NA 11ª SAPECADA DA SERRA CATARINENESE

Peço desculpas ao pessoal que acompanha o blog... Estive meio ausente nos ultimos dias em decorrência de provas e trabalhos da faculdade, fim de semestre não é fácil...
      Mas gostaria de agradecer as pessoas que estiveram presentes na sapecada!!! Muito obrigado pela força, graças a vocês o estímulo é cada vez maior, são pessoas sinceras que confiam em nosso humilde trabalho, que nos faz motivados a escrevermos mais, a criarmos mais música e projetar ainda mais a cultura que prezamos e que está presa na nossa alma.
     Agradeço tabém aos músicos que defenderam a nossa música no palco da Sapecada da Serra Catarinense e também Na Sapecada da Canção... foram lindas apresentações!!!
     Parabéns ao amigo e parceiro de obra Vitor Amorim pelo prêmio de Melhor Melodia na nossa música, tu merece isso e muito mais, pois existe em ti um baita talento. Parabéns também aos demais amigos premiados ou não que participaram desse belíssimo festival, não vou citar nomes porque sempre esqueço alguém (rsrsrs)....`
É isso ai... Espero estar presente na próxima edição da Sapecada, pois é um festival onde cultivamos amigos e presenciamos um excelente show musical que se agranda no palco da Sapecada....

MUITO OBRIGADO!!!

sexta-feira, 17 de junho de 2011

A NOITE E A CADENTE



Fez bem pra alma e se ergueu em vigores misteriosos a inspiração noiteira que circundou o poema. Uma noite dessas tranqüilas, céu lindo salpicado de estrelas.
Andava eu, peregrinado caminhos pelas querências tão frias da minha serra Gaúcha, lá pras bandas de Bom Jesus no longínquo distrito da Casa Branca, na estância Rincão do Lima dos meus amigos Barcellos, era frio e assim me lembro, saímos a noite espichando o trote dos pingos mansos, procurávamos lonjuras, queríamos a noite linda e beirando a costa do Rio Cerquinha eu me encontrei com a bela. Uma candente que refletiu seu rastro em meus olhos, riscando o manto negro do céu. Pensei e fiz um pedido, guardei pra mim a alegria daquele momento lindo.
Mais tarde, já pela cidade, o pensamento daquela noite não saia da minha cabeça. Num momento reflexivo me encontrei com meus espíritos, então a cancela da rima se alargou frente ao papel, chego me arrepiar só em lembrar, comecei a escrever numa última página de um caderno velho e assim segui sem parar. Trazia frente aos olhos o bailado daquela cadente, onde o brilho se fez verso, onde o escuro da noite se iluminou frente a alma. E juntas cantaram, a noite e a estrela, a estrela e a noite. Onde a magia que tem no campo refletiu duetos espichados e tão doces, duetos cantados com doce amor.
Quando me deparei com a escrita em meio a rabiscos e garranchos, vi um verso – alma sincera – vi tudo aquilo que arrebatava minha mente desde a noite no Rincão do Lima, frente a beleza inspiradora de um verso misterioso, acreditando na magia do campo, acreditando em sonhos chamameceros, nació entonce, en una cruda linguaje, um versito castilhano. Foi emoção por completo, somente sorri sozinho. Têm certas coisas que acontecem conosco, que não se explicam, é a alma, é o avesso da vida, é o simples tão puro, é o coração que bate além do peito.
E hoje elas vivem juntas NOCHE Y CADENTE, presas num canto lindo que se esvai frente aos ouvidos. Conseguiram assim cantar duetos, cantar encantos, com a ternura caminhante do momento. Gracias Vitor Amorim, por dar sentido a esses versos, numa melodia tão rica e mesmo assim tão singela.
Com isso fica o convite para que domingo a noite dia 19/06/2011, possamos ver as duas, juntas no palco da Sapecada de Lages-SC. Onde elas cantaram simplesmente. Cantaram os duetos deste chamamé com a voz mágica que o campo inspira. Cantaram enfim, NOCHE Y CADENTE
NOCHE Y CADENTE

Estrellita rastreando sueños por la madrugada
Y una linda mirada campea voz p’a su cantar
Nubes del cielo son mismas que ponchos negros
Con los secretos que una cadente hay de soltar

Algún silencio habita el pecho de la noche
Sin los sonrisos melodiosos por supuesto
Facha dormida se alumbra en miel del rocío
Tiempo con frio que enruga el sentimiento

Pero la magia que tiene el campo
Mirando estrella besar la flor
Hace un pedido p’a noche calma
Cantar encantos en esplendor
Llamando coplas noche y candente
Hablan duetos con dulce amor

La ternura caminante del momento
En pensamientos algún nochero cantar
Que solamente son oídos en la pampa
En la esperanza de una vihuela llorar

Y van cantando sus penas y sus recuerdos
Pateando el viento con ecos del corazón
Noche estrellada al encontrar una cadente
Es diferente con misterio en su canción.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

AS RAZÕES DO JOÃO URBANO



O João saiu do campo,
Ou talvez não o conheceu,
Já sem o verde estendido
Que em seus olhos se perdeu;
Restando passear tristonho
Entre as lobunas paredes
E a poça d’água da chuva
Pra um pobre matar a sede...

O João das primaveras
- Buscando amores teatinos -
Se encontrou c’oa prenda linda
Que pelo mesmo destino,
Vivia da mesma forma,
Longínqua de sua essência,
Sem ter um naco de terra
Prela chamar de querência...

O João chegou lá em casa
Após eu rumar à estância,
Sem nem saber o meu nome
Nem mesmo a minha existência,
Achou a par a soleira
Da janela lá do fundo
Um lugarzito singelo
Pra ele erguer o seu mundo...

O João acabrunhado,
Já desgastado da lida,
Trazia os olhos cansados
Mas a tarefa cumprida;
Seu lombo sujo de barro,
Sua face olhando de cima,
Seu canto agudo e tranqüilo
Repetindo a mesma rima...

O João caseiro e tanto
Se assustou na minha chegada,
Pois pensava, simplesmente,
Ser dele aquela morada;
Quando na minha janela
Contemplei, com emoção,
Um rancho recém erguido
Com barro de construção...

- O João tem suas razões -
Pensei comigo sozinho,
Se acaso abrisse a janela
Derrubaria seu ninho,
Mas me senti tal a ele
Sofrenando a realidade,
Olhando a casa de barro
Bem no centro da cidade...

O João que o sobrenome
Cambiou por conta do engano,
Lá no campo João barreiro
Na cidade João urbano;
Ao menos sem ter a culpa
De o campo mudar de cor,
Em meio a massas cinzentas
Vive o melhor construtor... 

Rafael Ferreira

quarta-feira, 8 de junho de 2011

SABER OUVIR

“Calar-se muitas vezes não é falta de personalidade ou menos fraqueza, calar-se
é ser tolerante, podendo dividir idéias e saber escutar os outros...Por isso
devemos nos calar quando o espaço dedicado aos ouvidos é maior do que as nossas palavras.


Outro dia me vi silenciado, frente à robusta forma eloqüente e translúcida em que uma boca sincera despejava suas palavras marcantes...
Refleti, por pensativo, que as formas mais naturais que afetam a falta de conhecimento, dissipadoras de saber, estão voltadas ao sentido dos ouvidos. Enquanto alguém toma a rédea da conversa e solta o seu vocabulário benéfico, muitos estão dispersos, não escutam, só falam.
Requisito então a uma comparação verdadeira, frente aos espelhos que vejo ao se tratar de atenção. Um pingo alça as orelhas, que de pronto tomam a frente, ficam em pé, as duas orelhitas, ele está atento ao mundo na volta, alguma coisa lhe chamou atenção, somente bufa nas ventas e esparrama os olhares a tudo aquilo que o cerca. Será então que só os cavalos conseguem entender o que eu penso?
Precisamos SABER OUVIR, pois é esse o sentido da vida, onde a palavra muitas vezes é uma adaga pronta a abrir talhos em nosso peito, mas também ela pode ser uma pétala de rosa que afaga mansa e macia o nosso rosto. Faremos então dos nossos ouvidos uma peneira, filtrando somente aquilo que é aproveitável, para que possamos depois de tamanha percepção, despejar o nosso saber, a nossa palavra.
Tamanha forma de reflexão depois de ouvir aquelas palavras sinceras que enalteci no início dessa conversa. Palavras essas que eu acredito serem verdadeiras, são palavras sábias, conselheiras, que tem por dom tocar os meus ouvidos para me mostrar o caminho certo, as pessoas certas. Com isso recorri a alma, ao espírito de luz que também me fala verdades e juntos criamos mais uma parceria versejada de palavras, essas que saem como corredeira de rio pelas pedras da vida.
Frente as palavras conselheiras do meu pai, despejo de alma e verso um trecho da letra CONSELHO:


...Precisamos ouvir com paciência
Na voz de pessoas que sabem falar
Cada experiência de vida
Das que são sugeridas para aconselhar
Pois bem antes de dizer
Aprendemos com a vida a saber escutar...

...Contudo entenda que a vida
É um jogo de encaixes, tudo se assemelha
Ninguém é mais que ninguém
É um ditado que vem surrando as orelhas
Quem ouve o correto no hoje
Certo que amanha será o que aconselha...

OBRIGADO A TODOS!!!

quinta-feira, 2 de junho de 2011

FRAGMENTO PENSATIVO



Tamanha forma de verdade é o verso imposto, depois de uma inspiração querendona que se achegou junto ao peito. E assim se vem essas poesias notórias, sabedoras analíticas do mundo que as rodeia, uma forma de contar aquilo que o peito arrebata, que o instinto aflora, reescrevendo os clamores espirituosos de esperança.
É como uma vela acesa queimando quem lhe toca a chama, é como um chapéu que serve bem certo para a cabeça de muitos... Assim são as rimas, os ditos, as musicalidades. Manuscritos, melodias, rabiscos, entre tudo as formas de olhar o mundo desses seres diferenciados que nos ofertam: poesia, musica, sinceridade e acima de tudo, estendem o lombo de suas almas, para que possamos cavalgar junto deles, nesses devaneios e sonhos.
Um espelho de água doce, cristalizando faces, luzindo estrelas, clamando amores. É a cisma de rastrear passado, falar de essência, na história cultural que circunda os limites imaginários do que eles chamam de querência. Nesse passado revigoram-se muitos fragmentos, porém quando o dom lhes toma a rédea eles resgatam aquilo que era perdido, para que muitos tantos possam se reencontrar.
Sincero é o poeta – artista calado – nas palavras presas ao papel. Por isso me orgulho ao poder me encontrar num verso, me orgulho pela cultura imposta nesse meu Rio Grande do Sul. Tantos falam, muitos não sabem, mas quem tem os olhos tais os meus, devem por certo refletir que o azulado do céu mais belo é aqui, num costeio – água salgada – nos ligamos ao resto do mundo... Pelos rios de água mansa... Fronteiras sul-americanas com querências diversas... Uma cultura secular, construída a pata de cavalo, a força de guapos, com a miscelânea de raças desse povo tão nosso. É assim que nascem as poesias, é assim que cantamos as músicas, por que nós temos um cerne de inspiração que queima lento ao fogo de espírito, indutor artístico. Não precisamos inventar nada, tudo que é falado está ao nosso alcance e afaga a alma daqueles que se auto reconhecem nas diversas formas de arte.
É um desabafo crítico, mas no sentido construtivo, pois é bom sabermos as verdades que temos diante de um “hoje em dia” tão instável. Devemos escolher as pessoas certas a nos acompanhar, devemos admirar sinceramente, não podemos ir somente ao sentido que o vento sopra, precisamos de opinião. Por isso, sejamos sinceros, para chorarmos de verdade, para que possamos sorrir de verdade, vamos amar de verdade, vamos cantar de verdade, vamos ouvir de verdade, para que não sejamos estes tantos “FALSOS MANSOS”.
Contudo reflitamos, nessa belíssima obra:
QUE MÃO É ESSA
 (letra: Guilherme Collares/ música: Cristian Camargo)

Que mão é essa que palmeia as costas
E, fingida aperta nossa mão amiga
E depois oculta de maldade e sombras
Trampeia verdades e exalta mentiras

Que mão é essa que afia adagas
Na pedra sincera de um olhar parceiro
E, depois, à espádua, contamina idéias
Com palavras falsas e um sentir matreiro.

Eu prefiro a mão que mostra a face branca
E nos bate à face com a cara à mostra
Do que a garra afiada a predizer maldades
Com sorrisos falsos pra campear a volta

Antes a verdade, que até mesmo ofenda
Que a mentira oculta e a mansidão daninha.
Antes a vileza confessa e aberta
Que a revolta amarga e a traição mesquinha.

Antes o aporreado, malino e velhaco
Que mostra nos olhos o tombo que causa
Que o tombo na incerta de algum falso manso,
Que esfrega o focinho na mão que lhe afaga.

sábado, 28 de maio de 2011

É DE MOLHAR OS OLHOS...


Esse fragmento foi uma participação na coluna da Revista "ALTOS DA SERRA" (Vacaria - RS), no ano de 2010, onde eu fui convidado a publicar algo sobre tradicionalismo e regionalismo do Rio Grande do Sul, sendo assim, resolvi fazer aquilo que me agrada, que me completa, um texto de palavras simples e de saudades tantas, que resume uma infância tão boa. Espero que muitos possam se identificar com este texo, já que traduz o passado de muitos tantos.... 
OBRIGADO!!!





É de molhar os olhos... Lembranças ternas, sorrisos alegres, ter um mundo inteiro em riba de um pedaço de chão, tão longínquo de todo o resto... Ali minha vida era feliz, pois tinha tudo que eu mais gostava, era sim a esperança, esperança daquilo jamais acabar. Por isso conto a nossa história, a minha e a da minha infância.
Começo então pelo nome, Fazenda Esperança, onde até hoje trago comigo, tranqüila e bela Esperança. Ela vem no meu peito ajojada como bois de canga, e quando laço da lembrança, com sua armada grande, me acerta a idéia, eu paro solito, ajeito um mate daqueles bem amargos, e uso os recuerdos doces de andanças, tal fossem jujos de campo... Meu mate tem cara alegre, as vezes rio sozinho. Talvez pensem ao contrário, mas sentir saudade faz bem...Pelo menos quando me recordo piazito montando um flete de vassoura, correndo pelo jardim da estância, ou melhor, as vezes me vejo arteiro nos dias de pealação, onde não me importava com o golpe do lombo no chão, ou menos, os berros de dor de um boi ao sentir o ferro quente, eu queria cerda, sim, juntava os nacos de cola aparada, ficava tapado no pelo, as vezes soltava uns gritos como estivesse lá na mangueira, junto da peonada, mas eu ficava era do outro lado da cerca, dependurado, quando o boi bravo vinha eu me atirava pra traz e dava risada, perigo não existia pra mim... Cosa braba, eram os gansos, que bichinho alarmento tchê! Parecia que eles tinham por gosto me atropelarem nas porteiras, nunca me pegaram, eu corria, isso é certo, mas andava sempre atento com eles, falando em bichos, me lembro dum cusco gateado, daqueles bordoga que babam tudo na gente, era maior que eu o desgraçado, que baita cusco parceiro. Agora o que eu mais gostava era a tordilha Nevasca, égua do tipo bem mansa, que se eu não chupasse do beiço e batesse o garrão ela ficava parada, volta e meia eu dava uns laçassos de mango pra puxar um trote, ela foi minha primeira encilha, eterna Nevasca tordilha. (foto)
Casarão antigo, janelas grandes na frente, uma varanda mais ao fundo, paredes com quadros velhos amarelados, fogão a lenha, arquitetura singela, mas de coração grande. A escada rumando o sótão, essa que eu tinha medo, jurava escutar assombros nas noites largas de inverno. O Cipreste copa dupla plantado a muitas luas por Don Jõao Maria Borges, era como um sombrero largo pra quincha da casa grande, sombra de mate aos finais de tarde de primavera ao pé da velha árvore com regalos de copa larga. Lá nos fundos o poço de balde, com roldanas choradeiras e a corda grossa já gasta, o velho balde de lata, que batia lá no fundo, tirando a água do escuro, eu ficava admirado com aquilo, e já matava a sede nos goles puros de uma infância. Um galpão de chão batido, rústico, sublime, eu adorava olhar de baixo por longe, o tio Bira botando as garras no crioulo haragano, um pingaço douradilho, que apesar de eu nunca ter montado solito, era o melhor cavalo do mundo. As frestas do galpão grande pareciam recitar poesia com o vento entre as faces gastas de uma madeira forte. Um corredor entre cercas, como fosse as veias do galpão velho se unindo com o coração grande da mangueira de pedra, um brete bem comprido, um banheiro mais adiante... Aquilo era lindo em dias do banho do gado, os charolas entupindo as mangueiras, um berredo ensurdecedor, pingos suados e campeiros atentos no serviço.
As luas passam, os tempos mudam. Com isso me criei, mas ainda rapazote aproveitei tudo aquilo, “entonce” não mais estorvava na lida, mas sim, ajudava, ainda montado em pelo tordilho, mas essa não era a Nevasca, era uma potranca fachuda, cria do haragano, essa era de estouro, com ela recolhi tropas, aprendi para que serve a espora, o laço e o pé no estribo. Pelos domingos de folga saia eu e a potranca, pra atirar umas cordas na cancha do Capão Grande. Já entendia mais das coisas, sabia que a vida não era só brincadeira, obrigações, respeito aos mais velhos, jeito simples, mais de opinião. Até que um dia enfezado fez me trocar o rumo, me despedi da velha fazenda com lágrimas nos olhos, mais trouxe comigo uma infância que ali eu construíra.
É de molhar os olhos... Ser alguém na vida, diploma na mão, pra não ser mais um peão desses que vagueiam o mundo só por uns trocados. Não que eu não quisesse ser, até pensei nisso. Mas decidi trocar o tino e deixei somente o rastro na estrada empoeirada, olhando de longe a Fazenda, cuidei o galpão, uma fumaça branca na chaminé da casa, lembrando os cafés cheirosos da tia Adri.
Por isso cevo esse mate, agora já lavado pelas lágrimas tão boas que fazem sangas no meu rosto. Que bom saber que eu tive uma infância, uma infância de campo, de pés descalços e sorriso largo... Que bom saber que tive pessoas felizes junto comigo, compartilhando momentos inesquecíveis... Que bom saber que a saudade me faz tão bem, quando é sentida lembrando aquilo que vivi e que jamais sairá da minha memória. Contudo isso eu agradeço as pequenas coisa que me tornaram um gigante. Por isso, que sou uma eterna criança, pois cada vez que golpeio esse mate, minha infância revive na Fazenda Esperança e eu choro em saudade.  

(Revista Altos da Serra, coluna de Tradicionalismo, junho de 2010. www.revistaaltosdaserra.com.br)

sábado, 21 de maio de 2011

FRAGMENTO SIMPLESMENTE

          Ao circundar uma espera, numa meia tarde silenciosa, me vejo assim, pensativo. Com olhos rumando o longe e a sensibilidade de ser eu mesmo, voltando a cuidar da essência que me desdobra. Contemplo as coisas tão simples, que o quadro vivo do mundo oferta aos olhos sinceros do tempo.
E avisto um tímido sol, debruçando as suas mangas coradas no pasto que ainda verdeja, é tão simplório o acarinhado que invade um campo ao deixar a sombra, ganhando os afagos amornados do sol que bombeia longe. Queria eu ver somente o simples da vida, pra guardar – enraizados – os caprichos telúricos que habitam as fragrâncias azuladas que guardam um amor-perfeito-do-mato, ou mesmo poder vislumbrar meu mundo refletido numa gotícula espelhada, bem presa no farpo de um aramado, abrigando o último suspiro de um sereno manhaneiro. (FOTO)
Ser simples tal qual o sonho, ser canto tal qual poesia, ser alma pra ser sincero...
Meu acalanto é o espírito, que traz as vozes sedentas que gritam nos meus ouvidos, brigando pelas verdades. É meu ser por traz da sombra, é o meu eu simplesmente. Um fragmento envoltório que fala em som de poesia e canta a favor dos ventos, que me força erguer os olhos pra ver os simples fragmentos que rodeiam tantos. É o espírito – acalanto -  que borda os sonhos povoeiros pra resguardar-lhes no campo, e eu transcorro um chamado, um suplício, uma atenção, pra olharmos o mundo que temos, sugando o sulco tão doce que a simplicidade oferta.
Apenas eu – simplesmente – e nada além de mim mesmo pra evocar o que preservo. Pra desbravar geografias numa notória saudade, um tempo rastreador, com simples rimas – quimeras –
...Um naco de chão farrapo
Nesses torrões colorados
Mesclado a sangue grudado
Das veias de um pago antigo
Renasço em meio ao que vivo
Nas rimas sou coração
Pois vejo a simples razão
De ser aquilo que digo...

Sou fragmento simplesmente...  Um tradutor transparente, que no acalanto do espírito reafirma ditos sinceros, abrindo os olhos daqueles que me cercam. Num convite a observar as simples notoriedades que temos, para que possamos nos tornar mais sensíveis num mundo que vem tão cruel e imponente. Que o fragmento simplório, toque a alma desses tantos, lhe dando outro modo de ver os dias e de aproveitá-los, pois o mais simples que temos no mundo de hoje é ver o sorriso ingênuo de uma criança e o abraço sincero de um bom amigo.